A maior descoberta de minha vida

A maior descoberta de minha vida


Descobri que o que sou mesmo é “INVENTOR”

Invento consertos e soluções

Invento músicas, letras e instrumentos

Invento artes plásticas e reinvento coisas do lixo

Invento poesias e poéticas...

Invento tanto, todos os dias,

Que desconfio ser eu minha maior invenção.

domingo, 11 de novembro de 2012

Presente-Negro



Negra cultura
Negros tempos – swing-dançante-musical
negro passado escravo
liberto das misérias da alma
Negras a prenderem os sonos e os erotismos dos donos dos negros
Negras vergonhas de assédios imorais
Negro-movimento
Negro-entendimento-transcendente
Negras tragédias e choros negros apartados

Negro-mistério
Orixá
Candomblé
Hip-hop
Samba-choro
Samba-morro
- Vida rica arrancada das ausências -
Negra capoeira – bela dança que fere!
Negro, como tantas outras cores
como a imensidão de sabores
da diversidade...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012


À mesa

Naquela mesa, posta diferente neste dia, de modo a acompanhar o formato do salão, estavam gentes de toda espécie, de todas cores, de todos cheiros, de todas vivências. Mas a chegada daquele casal maltrapilho, mijado, fedido e com palhas nos cabelos sebentos, trazidas da rua do último sono dormido incomodaram... os preconceitos suscitados entre os que deveriam ser seus pares também chamou a atenção. Incomodavam porque traziam em si, apesar do maltrapilho e da sujeira, uma vivacidade e um carinho de casal que transbordava pela mesa e ensopava o colo ressecado dos participantes daquele almoço. Um princípio de discussão querido por um, um chamar de atenção tentado por outro e o casal, impávido, respondendo com colheradas oferecidas na boca carinhosamente.
A proposta, trazida como sobremesa por D.Maria e o pessoal do consultório de rua, foi simples:
- Ao som do dedilhado no violão, será lido um poema de Cecília Meireles intitulado “o último andar”.
Ouçamo-lo:

O último andar

No último andar é mais bonito: 
do último andar se vê o mar. 
É lá que eu quero morar. 

O último andar é muito longe: 
custa-se muito a chegar. 
Mas é lá que eu quero morar. 

Todo o céu fica a noite inteira 
sobre o último andar 
É lá que eu quero morar. 

Quando faz lua no terraço 
fica todo o luar. 
É lá que eu quero morar. 

Os passarinhos lá se escondem 
para ninguém os maltratar: 
no último andar. 

De lá se avista o mundo inteiro: 
tudo parece perto, no ar. 
É lá que eu quero morar: 
no último andar. 

Logo após a leitura, mais som de violão, e após, mais leitura do mesmo poema e após, mais violão... tudo orquestrado pelas mãos habilidosas de D.Maria, que queria que prestassem atenção à escuta... na última vez o tocador acompanhou seu dedilhado com um assovio e outro assovio o acompanhou e surpreendeu desafiador os expectadores... Ivaldo era o nome daquele “Raul-seixaniano D.Quixote” que ao tomar o violão pra si protagonizou um belíssimo show com sambas-canções, romantismos e por vezes alguma malandragem do Bezerra da Silva... fez daquele lugar sua saudosa maloca e na sua maluquice não quis saber quem eram todos, não discriminou e ensinou-nos a também não discriminar. O público, ávido por aquele néctar, cantou junto, batucou, empolgou e se apossou daquele momento como nunca antes...

Dna.Maria, que sacou de um livro porque por acaso sua estante de prateleiras havia caído e por acaso escolheu “Cecília”, por acaso viu neste acaso a força transformadora imensurável da arte.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012


Pauta e nota!

Vida pautada em notas
Partidura de um ego angustiado de razão
Maestrado pelo sol artificial comprado na feira
Iluminando míseros prazeres
Do livre-mercado pop
Ranhuras cicatríticas evoluindo para cânceres e psicoses – cédulas do voto de castidade consigo
Pobres prazeres facilmente ceifados por “machados” e “assises”.
Santas pseudoideologias a taparem
Os buracos deixados pela ausência
Da melodia poética essencial.
Pausas e silêncios também fazem parte da canção...

sábado, 9 de junho de 2012

Notícia Televisiva


                Representantes da Classe Média Diferenciada foram às compras em “Maiami” e compraram tanto, mas tanto, que o “Boing” da volta caiu no mar de tanto peso e não sobrou ninguém vivo...
Iemanjá pensou que Era oferenda!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Manifesto do Clã dos Curingas


Manifesto do Clã dos Curingas

Um encontro silencioso está acontecendo! O Clã está se formando. Os Curingas, misteriosamente, estão se reconhecendo. Habitam lares, freqüentam bares, estão nas escolas, nas universidades, nas fábricas, nos escritórios, nas praças, nas ruas e em toda parte. Seres aparentemente comuns, diferenciados apenas pelo desejo de transformação e por suas mentes inventivas... Suas ferramentas são a arte e a alegria. Intuitivamente criam seus totens e brasões. São cartas que não pertencem a nenhum naipe. Resistem às tendências e também as influenciam. Vivem um passo à frente e são o motor invisível a puxar o trem-metrô da vida. Subterrâneos, subversores, inusitados ...
Mas muitos são os que ainda não despertaram e você pode ser um deles:
_ Reconheça-se, reencontre-nos, junte-se a nós, ao nosso clã:
O Clã dos Curingas!
Curingas do mundo uni-vos!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quiromancia


sábado, 11 de fevereiro de 2012

As drogas e suas questões



Por Mário Deganelli

Os motivos pelos quais a pessoa se torna dependente do uso de drogas, sejam elas quais forem (licita ou ilícitas), estão muito mais ligados à falta de recursos – internos e/ou externos – do que às pretensas teorias que as apontam como vilãs-monstros que pode pegar qualquer um de nós. Não estou aqui negando o poder destrutivo das drogas e nem que umas tem mais poder viciante que outras. Estou atentando ao poder irreal e oportuno que se tem dado a elas. Falo em oportunismo porque é muito cômodo e conveniente legar ao dependente a culpa de ter sido fraco diante deste tal poder e ter se deixado capturar por ele numa relação que envolve apenas dois personagens – a droga e o indivíduo.
Em primeiro lugar um indivíduo ser humano, apesar de o termo aludir a isto, não é um ser que se constituiu individualmente; ao contrário, foi através de inter-relações que se formou e chegou até determinado ponto de sua história. Quando digo inter-relações o faço no sentido mais ampliado deste termo, ou seja, desde as relações que foram se estabelecendo em seus meios de convívio social até às que foram sendo estabelecidas com o consumo em geral. Só para explicar melhor sobre o quê estou falando basta pararmos quinze minutos de uma tarde qualquer e acompanharmos a programação das redes abertas de televisão para constatarmos a imensa oferta de soluções e receitas para lidar com os mais variados tipos de situações e problemas do nosso cotidiano – meios para emagrecer (relação mal resolvida com o que se come e com como se gasta a energia adquirida), meios para aprender a se relacionar com o marido, com a esposa, com o vizinho de condomínio, com os filhos, com o animal de estimação, com o sol, com o computador e tantas outras ajudas. Diante disso, fico a pensar se na verdade os seres humanos fracos e doentes são mesmo os dependentes, ou, pelo menos, “só” eles. Quando faço essa experiência, assistindo, inclusive programações que se julgam sérias e científicas tenho a nítida impressão (ou constatação) de que vivemos em uma dita sociedade que não prepara os seus indivíduos para a autonomia e para a responsabilidade em seus atos e escolhas. Ao contrário, parece-me oportuno, volto a falar, que os indivíduos se enxerguem incapazes de conduzir-se por suas próprias escolhas, para que as decisões que se pautam em interesses avessos à sua própria vida não sejam questionados, já que este empoderamento não lhe foi permitido. Daí é que criar monstros fictícios e dar a eles poderes extraordinários torna-se uma artimanha extraordinária. Não há algo ou alguém localizado contra quem lutar... o que há é um ser abstrato indestrutível contra o qual você pode apenas ficar muito alerta, já que a próxima vítima pode ser você ou alguém que você goste muito. E enquanto toda a sua preocupação está dividida entre correr atrás de suprir suas inapetências sociais ou lutar contra titãs maldosos que lhe roubarão a alma, outros grupos de seres humanos, localizados um pouco acima deste “bololô” social, engordam cada vez mais seus patrimônios e poderes de decisão.
Aliás, voltando à questão das drogas, parece-me que na história da humanidade, nunca lidamos de maneira tão imbecil com elas. Em sua imensa maioria as diversas civilizações e grupos de seres humanos que já existiram a usaram para o crescimento e expansão de suas percepções, sendo elas importante fonte alimentadora de conhecimentos e criações. Mas na nossa sociedade pós-moderna-sabe-tudo ela virou caso de polícia e/ou hospício. Vamos começar a falar sério ou vamos continuar tratando destas questões como conteúdos de um programa vespertino televisivo?