A maior descoberta de minha vida

A maior descoberta de minha vida


Descobri que o que sou mesmo é “INVENTOR”

Invento consertos e soluções

Invento músicas, letras e instrumentos

Invento artes plásticas e reinvento coisas do lixo

Invento poesias e poéticas...

Invento tanto, todos os dias,

Que desconfio ser eu minha maior invenção.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Um dia por vez

A vida por um triz...


O dia seguinte talvez não exista.

A cada instante há uma nova erupção no vulcão da vida e o instante passado é a única garantia de que a vida continua

Nenhum grande tratado pode afeta-la, o curso segue:

Sem matrícula, notas de reprovação ou culpas,

Somente desistências.





sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Falso Amor

Luminária Naja



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O que é o amor?
O que é o amor?
O que é o amor?
O que é o amor?
Um discurso profundo em versos “camoníacos”
em que doar-se a outros é sempre muito mais importante
que doar-se a si mesmo.
(Falso Amor - Mário Deganelli)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


Tanto tempo

Quanto tempo perdido
Quantas perdas, quantas vozes tímidas
Quanto mel derramado
Quantas merdas, quantas frases cínicas
Quantos tormentos, quantas mortes vívidas
Tantas gentes, tantas vezes frígidas

Tanto tempo perdido
Nas certezas de minhas frases tímidas
Tanto fel declamado
Tantas rezas, tantas aves pudicas
Escandalosamente restos como fossem dívidas
Quantas vestes pra nudezes tísicas

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Procura-se


Mário Deganelli procura parceiros musicais...



Preferencialmente violonistas.

Que não fume, não beba, tenha no mínimo 1,80 de altura e o sorriso do Thiago Lacerda. (BRINCADEIRINHA!!)


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Escorpião








Um som triste


Da tristeza nasalada

Do berimbau que anima

A festa da capoeira



Da corredeira d’água

Violenta que calma a roça



Reizado, zabumba,

- bumba meu boi!

Sangra meu povo

Ganga meu rei,

...trilha!



Aldeia meu índio

Indica meu guia

Guia com voz de berrante



Ao curupira

Caipora

C’a espera do sonho de criança



Do saci

Só se assim...

...assim for

Gritar fino

Gritar doce

Agrupar

Grutar e acordar o cordel

C’a corda no pescoço

E amém putaiada

Amém.


(Grutesco - Mário Deganelli)
Cotidiano (ode às vezes)




Às vezes, tristeza

Às vezes, nada ...

Às vezes, recomendo que me deixem!

Não quero mais AS VEZES!

Não à “As vezes” intransigentes que cegam ...

Às vezes, respondo o meu sono e minha apatia meticulosa.

Às vezes, repetidas vezes, dou meu sufocamento e pra onde olho a vista bate... tudo é próximo.

Às vezes há frestas entre um dia e outro e algumas iluminuras aparecem ...

São fantásticas visões improváveis,

São artes líquidas que soturnas descobrem seus caminhos.

Sangues rarefeitos imbuídos de oxigênio e sonho. Às vezes transbordam e multiplicam infinitas vezes e mancham:

- Marcas rupestres num cotidiano fatídico e urgente.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Masturbação

Descobriu aquele inusitado prazer na cozinha da casa de uma amiga, porém, nunca teve tendências exibicionistas, ao contrário, sempre teve dificuldades com o público, até com as mulheres, escassas em sua vida. Desde criança se valeu do intelecto para as relações mais próximas. Descobriu primeiro a habilidade matemática, anos depois a eloqüência retórica e por fim a filosofia. Mas não gostava muito das profundidades, apesar de introspectivo. Preferia ocupar-se, em momentos solitários, em hipotetizar artimanhas para impressionar e sustentar-lhe o status de ser inteligente. O que não percebia eram os comentários, em surdina, classificando-o no grupo dos pseudo-intelectuais metidos a filósofos do botequim de sua iniciação no álcool e nas drogas... Encontros semanais recheados de descobertas e reflexões interessantíssimas que eram inevitavelmente apagadas pela ressaca da manhã seguinte.
Mas naquela cozinha, depois de algumas cervejas e do ângulo privilegiado em relação à poltrona da amiga, que lhe permitia enxergar toda a extensão de suas coxas e parte de sua minúscula calcinha vermelha, foi que descobriu aquele estranho prazer. A masturbação havia já descoberto aos onze anos. Mas aquilo estava para muito além... o medo... o frio na barriga...
A partir deste episódio passou a masturbar-se nos lugares mais incríveis. Conseguiu até fazê-lo em uma praça pública, encoberto por sua mochila. E de outra feita, experimentou imensa liberdade no terraço deserto de seu prédio, lançando seu esperma ao sabor do vento refrescante.
Quase já não havia lugar que não houvesse experimentado. Só não havia conseguido ainda no elevador por haver lá uma câmera para inspeção. Não eu não houvesse tentado, faltava-lhe coragem suficiente. Temia a língua implacável do porteiro. E num dia destes, de horas de tentativas frustradas, conheceu a moça ruiva do décimo terceiro andar. Moça de família que preservava a moda antiga. Já nos primeiros encontros fez saber que era virgem e decidida a entregar-se somente após o casamento. Oferecia contudo, a profundidade de alma que em seu enamorado era tão ausente. Através dela, ele conheceu o amor... Desde então, seus prazeres já não lhe faziam o menor sentido...