A maior descoberta de minha vida

A maior descoberta de minha vida


Descobri que o que sou mesmo é “INVENTOR”

Invento consertos e soluções

Invento músicas, letras e instrumentos

Invento artes plásticas e reinvento coisas do lixo

Invento poesias e poéticas...

Invento tanto, todos os dias,

Que desconfio ser eu minha maior invenção.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009


O Sapo
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Encomendas de Luminárias ou esculturas de arame?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Hoje, apresento-lhes outro conto. Uma história realística, possível e crua. Como é caracteristico dos contos que o Mário escreve.
Com a narrativa do autor, fica fácil "ver" toda a cena, com seus personagens em todos os pormenores.
Um texto forte, sem tornar a leitura pesada. Um enredo surpreendente sem a pretensão de levar ao ouvinte qualquer "lição de moral" ou coisa que o valha.

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Esfregava-se, pacientemente ao balançar característico dos coletivos em trajeto esburacado contorcia-se baixinho, com gemidos imperceptíveis espremidos entre estranhos familiares passageiros. Hora e meia de fulminantes orgasmos, ponto a ponto, cheiro a cheiro, corpo a corpo. Quando encoxada demorava-se mais, às vezes deixava-se nos braços fortes de algum por dois ou até três pontos para além do seu, depois descia, culpada pelo atraso provocado em função de um gozo impensado. Culpava-se, mas só às vezes, de nunca ter tido coragem de romper as paredes condicionais de seu sexo, amargamente volvia estes pensamentos e segurava-se firme no próximo corrimão de ônibus da próxima volta-do-trabalho. Aliás, foi Dna.Edite a responsável pelo trabalho na “casa de família”. A mãe fez de novo como sempre fazia, pegou-a pelo braço e levou-a a assistente social como quem dizia: - “edite” novamente esta minha desgraça, não vou mais acaricia-la com o MEU pão de todo dia. Um empreguinho não lhe cairia nada mal, editava-a Dna.Edite. Casa de família, casal de velhinhos já assexuados pra que não se corra o risco da prenhice indesejada – sabe como é essa burra juventude – um salariozinho bacana que vai ajudar muito à senhora Dna. Mãe, etc., etc., etc.
A caminho de casa, naquele dia, pensou novamente nesta passagem de sua vida. No caminho que era seu fim de prazer. No seu prazer incompartilhado. Na falta e fartura duas vezes por dia vividas nas esfregações dos coletivos. Nos orgasmos gélidos dos ferros dos bancos. Nas entranhas que ardiam e aquietavam-se três ou quatro vezes por viagem. Quis morrer!
Afeiçoou-se certo dia por uma rapariga magra com rosto de anjo e foi sua primeira grande paixão e seu primeiro desencontro amoroso. Entremeio a delírios orgásmicos, seios com costas, boca com nuca, respiração ofegante, quase escandalosa, um grito lhe feriu os ouvidos como lanças agudas a atravessarem-lhe o coração - MORTE ÀS LÉSBICAS MALDITAS! Infinito caminhar até à porta de saída demorada qual o tempo da criação do universo para se abrir e faze-la sumir. Neste dia não foi trabalhar. Foi à praça para ser queimada em público pelo sol que às nove da manhã já se ardia em brasas. Suou frio, calafrio! Mudou de horário no trabalho. Uma hora mais cedo de castigo para a indulgência de si própria. Nunca mais amoleceu seu coração. Secou-o àquele sol ao ponto da carne seca. Iria conserva-lo assim.
Pôde sentir de outra vez o rijo e imponente cheiro de um gigante a tremer entre suas nádegas em busca desesperada de atenção. Fez-se de morta diante daquela novidade embora estivesse gostando - passou do ponto por mais de uma vez, porém. Melou-se com o gozo alheio. À noite, pela primeira vez, refazendo aquele filme, tocou-se, acariciou-se, machucou-se, desmanchou-se, chorou-se, amargurou-se, olhou-se e era só escuridão e noite.
Ontem, resolveu voltar a pé, sabia que seriam horas de caminhada noite adentro, arriscou. Caminhava passo a passo lentamente sem se importar com a noite. Pensava na vida sem saber que era sobrevida, sofrida, desvivida, desviada de seu curso. Pensava na falta de carícias ofertada por todos aos quais pôde conhecer. O pai com o qual sonhou e nunca teve, nem em registro de nascimento. A mãe que dedicava toda sua carne ao marido hostil. O padrasto a encarar suas pernas com babas a escorrer-lhe pelos cantos da boca. O homem colocado diante de si por um deus maldito qualquer, com olhos de fogo que não iluminavam a rua escura e deserta. Uma bofetada acariciante e mais carícias das unhas que lhe rasgavam a roupa e a pele. Nunca estivera tão próxima de alguém. Nunca ninguém estivera tão dentro dela. Teve tempo de gritar mas só gritou ao tempo do imenso prazer que lhe invadia. Vadia! Puta! Carícias para os ouvidos, lembranças de uma infância distante. Queria que seu príncipe se tivesse demorado mais, pensou que talvez não tivesse esse direito, chorou como criança. Desapareceu de si com os últimos golpes de carícia metálica de um punhal que a muitas outras haviam acariciado.

(Carícias - Mário Deganelli)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sobre o tempo e as pessoas

Um dos textos do Mário que eu mais gosto.
Sempre que o releio, me bate uma certa nostálgia, o texto parece que me transporta para o passado e para as pessoas que "passaram" com ele.
Como se fosse um tapa , não consigo reler sem que permaneça suas marcas em minha face.
E a sensação que me fica é que o tempo se vai, voando e gritando. Continuamos em passos lentos e surdos.


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Bateu-me hoje um sentimento nostálgico que me fez ver o tempo como uma pessoa de carne e osso da qual a gente sente falta e só descobre esta falta nestes momentos de nostalgia. Aí fiquei tentando contar e relembrar quantas pessoas já deixei passar sem saber que sentia e era bom sentir...
Invadiu-me então uma saudade de há dois dias – do tempo de ontem e do de anteontem.
Aí percebi que na verdade o egoísmo não é um fim nele mesmo; ele só existe pelo medo que as pessoas sentem de perder, ou o tempo ou as pessoas de carne e osso – que também são tempos.
Pura falta de comunicação!
É que se o tempo pudesse gritar como as pessoas de carne e osso e dissesse: – Ei, panaca, olha eu voando! – Talvez as pessoas não ficassem tão egoístas e percebessem que o tempo também grita em silêncio e que as pessoas de carne e osso ficam sem voz...
O estado de torpor seria um tempo de ouvir e de silenciar.
Pensei nestas escrituras e achei que estavam ficando crônicas demais!
Aí pensei de novo no tempo que voa e tive a impressão de que esse vôo nunca é só ... Sempre vão pessoas, essas sim, de carne e osso, conduzidas pelo tempo. E nosso egoísmo nada mais é que as marcas das pessoas de carne e osso que passam pela gente (conduzidas pelo tempo que passa voando) e tentam se agarrar em nós na tentativa de parar esse vôo involuntário.
Pude ver cada rosto de todas as pessoas que voaram e se agarraram em mim e pude então perceber cada marca, cada cheiro, cada sangue que pingou revelando a carne crua...
Serenei-me novamente num estado de torpor de antes do tempo me fazer escrever, ...
... desde o dia em que não escrevia crônicas,
só agudas poesias...

[Escrituras atualizadas de maio de 1998 (Sobre o tempo e as pessoas) - Mário Deganelli)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Comas

O abutre







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Para que me comas
Deverás ter gosto aos temperos fortes,
Às pimentas das malaguetas,
Aos sais em pitadas de dedos cheios...
Para que me comas, mesmo ao desjejum,
Deverás ser dos de bom estômago,
Deverás inclinar-se às marés altas,
Aos matos densos,
Às torrentes nervosas.
Para que me comas,
Degustarás, de entrada,
Bifes de cobra e miúdos de porco crus...
E minhas mãos, encontrá-las-ás
Untadas de dendê
E meu fígado cozido em malte.
Para que me comas,
Deverás saber que o camarão à sua mesa
É o do mesmo que se alimenta
Com sabores pútridosDas profundezas das águas.


(Comas - Mário Deganelli)



quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cara...






















Carranca Punk








Ah! Minha cara!
Espelho refletor dos estados de minh’alma...
Tão tara quão rara,
Tão “cara” quanto eu.
Ah! Minha cara,
Disfarce quando açucara,
Amara quando vera.
Ah! Minha cara!
Quantas vezes não quisera
Quantas noites foras quimeras...
Em quantas luas fostes cheia...
Mas cara, estado de minh’alma,
Arestas de minh’aura
Retrato de meus rostos

(Cara - Mário Deganelli)




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Blog de novo visual!!!

Aceitando sugestões para postagens.

Abraços!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vaidade



Golfinho




– Nem ligo! Se sou meio delicado, se é como dizem, que sou fresco, isso é problema meu! – estes pensamentos tinha-os de resposta pronta e engolia-os diariamente como que por prescrição médica, acompanhados por um cálice médio de rancor a alimentar sua úlcera ainda inexistente mas já potencialmente letal.
Afugentava as mulheres em no máximo dois encontros e depois culpava a idade, já que preferia as adolescentes. Vez ou outra alguma delas insistia e na manhã seguinte, discretamente era exibida como manchas de sangue no lençol aos poucos amigos que ainda o toleravam, para que atestassem mais uma das suaves prestações de sua lenta perda da virgindade.
Mas, para todos os efeitos, procurava mostrar-se sério e metódico... e sempre metia os pés pelas mãos! Extrema rigidez disfarçada em aparente flexibilidade.
Numa festa, para a qual se auto-convidou (como já era o costume), os três copos de vinho degustados lentamente não foram suficientes para tira-lo do controle de si mesmo. Mas Lúcio Eros, sim! Rapaz interessantíssimo, de rosto angelical, que conheceu logo no início da noite e que não lhe saiu do pensamento durante boas semanas.
Sentira em si um furor lascivo absolutamente inédito. Daí por diante os sonhos inevitáveis de quase todas as noites passaram a ser um só. Mas ora era lido como pesadelo, em noites de negações, ora como arrebatadores momentos de prazer, nos dias em que se deseja desligar-se do mundo concreto das convenções e continuar mergulhado na liberdade de ser o que a alma deseja.
(Vaidade - Mário Deganelli)





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Já que veio até aqui, deixa um comentário, vai?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009


(Mão na Mascara)






No trabalho tão simplificado de amar,
Entre o raio calado e a luz que gerou.
Entre o gozo mais amplificado e a dor – “entretanto são tantas!”
O medo da perda e a perda do medo e o medo que a perda gerou
A dor da corrente e a corrente certeza que a ausência que o amor colocou.
Entre a luz de um olhar e um olhar que apagou
Entre um lábio molhado e o que se entregou
Entre os sons e o calor e o odor do suor
Entre a cor e a carne
Entre a tez e o toque
Entre a excitação
Entre...
(Entre - Mário Deganelli)